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Literatura e persistência: Avandelson enfrentou o câncer e concluiu Filosofia

12/04/2019 - Vitória da Conquista

O diagnóstico de câncer, em 2016, não impediu que Avandelson Ferreira continuasse focado nos estudos. Um ano antes, ele havia descoberto o polo do Claretiano - Centro Universitário em Vitória da Conquista (BA) e se matriculado no curso de Filosofia.

Já formado em Pedagogia pela UNEB (Universidade do Estado da Bahia), ele passou os 27 meses de tratamento estudando, lendo e produzindo literatura. “Nesse período escrevi 80 títulos de histórias infantis e infanto-juvenis que discorrem sobre liberdade, metamorfose, amor, caminho, felicidade, aventura, identidade, fé, introdução à matemática, empatia, amizade, entre outros temas”, conta. 

Em março deste ano, ele lançou um dos livros impresso: “A Estrela e a Constelação”. Além desse, ele possui outros três livros publicados em versão digital disponíveis na Amazon: “A Menina que Aprendeu a Voar”, “As Aventuras de Alice” e “A Flor da Montanha”. Fora esses, alguns já estão ilustrados e devem ser publicados em breve: “O Filósofo e a Dúvida”, “Artur, o Sonho e o Universo”, “A Pequena Bailarina” e “Alice e a Cor da Noite”. 

A educação a distância

Para concluir a graduação, o professor fazia atividades domiciliares, já que durante a maior parte do tratamento ele precisou ficar em total isolamento em casa. Ele fala que estudar a distância foi uma experiência nova e que foi necessário se adaptar aos poucos. 

“Sempre fui muito organizado e até em meio a esse problema consegui manter uma rotina estudos. Leituras das apostilas, livros que gosto de ler e mantive também uma rotina de escrita de crônicas que falam de minha experiência como paciente oncológico”, afirma. 

Quem acompanhou de perto essa jornada do escritor foi o pessoal do polo do Claretiano em Vitória da Conquista, em especial as atendentes Laís Aquino e Milena Lauton. Segundo elas, o atendimento foi como o que é oferecido a todos os alunos, mas não foram medidos esforços para adaptar as atividades exigidas para as necessidades dele naquela fase. 

“Percebemos que após a descoberta de sua enfermidade, sua força de vontade e determinação em concluir seus objetivos aumentou. Seu interesse em adquirir conhecimento se expandiu e, aparentemente, isso foi seu combustível e o ajudou a vencer essa etapa da vida. São de momentos como esse que tiramos experiência para valorizar o que realmente importa. O polo agradece por cada momento dividido com o aluno”, afirma o supervisor local, Gabriel Aquino. 

O curso de Filosofia e o aprendizado existencial

Ferreira conta que escreveu crônicas que falam abertamente sobre a doença e sobre o tratamento — período que ele chama de travessia. A respeito da contribuição do aprendizado em Filosofia para esse processo, ele cita o filósofo francês Jean-Paul Sartre: 

“A filosofia me ajudou a trabalhar a questão da existência, pois sempre reafirmava que sabia que estava doente, mas eu não me sentia doente. É pensar como Sartre, ‘Não importa o que fizeram de nós. O importante mesmo é o que nós vamos fazer com o que fizeram de nós’, diz. 

De acordo com o escritor, muitos caminhos foram superados e o tratamento continua com acompanhamento trimestral para avaliações de monitoramento. O objetivo daqui em diante é continuar escrevendo e publicando. “Acho que não escolhi a literatura infantil, foi ela que me escolheu”, finaliza.

Conhece a história de alguém que foi ou é aluno do Claretiano e que pode virar matéria? Conta pra gente no e-mail comunicacao@claretiano.edu.br.

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