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'Aula de educação física precisa ir muito além', diz professor convidado da Semana da Educação Física - Licenciatura

31/05/2019 - Batatais

A 9ª edição da Semana da Educação Física - Licenciatura do Claretiano - Centro Universitário de Batatais, realizada nos dias 16 e 17 de maio, recebeu o professor Daniel Teixeira Maldonado. Ele trouxe aos alunos o tema “Ser professor de educação física escolar na sociedade contemporânea: profissionalismo, paixão e descolonização do pensamento”.

Mesmo trilhando os caminhos da pesquisa, Maldonado continuou ensinando crianças e jovens diariamente em diversas escolas. Doutor em Educação Física, ele já atuou como professor do Estado e também do município de São Paulo, além do Centro Paula Souza. Atualmente, dá aulas para o ensino médio e superior no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. 

Na palestra, o professor apresentou exemplos de práticas corporais desenvolvidas com seus alunos e falou sobre o papel do educador. “Quando vou falar com as licenciaturas, gosto de mostrar o que vivenciamos na escola. Não é apenas vocação, somos profissionais da educação e a busca por melhores condições de trabalho entra nessa questão”, falou. 

No segundo dia de atividades, uma oficina colocou os universitários em movimento no Ginásio de Esportes. De acordo com Maldonado, o objetivo foi propor reflexões e experiências sobre as manifestações da cultura corporal.

Para o coordenador do curso de Educação Física - Licenciatura do Claretiano, Prof. Ms. Robson Amaral da Silva, atividades como essa contribuem para o processo de formação profissional e materializam o conhecimento científico. 

“No ano letivo de 2019 o colegiado do curso decidiu dar continuidade às discussões propostas em 2018 e, para isso, elegeu como tema das atividades político-pedagógicas a discussão acerca do ser professor/a na sociedade contemporânea. É inegável que vivenciamos uma série de transformações em termos políticos, sociais, educacionais, dentre outros, que demandam um esforço coletivo de refletir sobre a formação e atuação do/a professor/a atuante na educação básica nos dias de hoje”, disse o coordenador. 

Confira, a seguir, uma rápida entrevista realizada com o professor Maldonado: 

Claretiano - Qual caminho o futuro professor de Educação Física deve percorrer para entender as novas práticas dessa disciplina nas escolas?

O futuro professor de Educação Física precisa compreender as propostas pedagógicas que já foram elaboradas sobre o componente curricular. Além disso, ele deve se aproximar dos docentes que já atuam na escola, com a intenção de trocar experiências e compreender, de forma aprofundada, todos os condicionantes que fazem parte do cotidiano escolar.

A Licenciatura em Educação Física deve formar um professor que compreenda a identidade da escola, reconheça a sua função social e análise, de forma crítica, o papel dos educadores para a formação da cidadania das crianças e dos adolescentes que frequentam a Educação Básica.

Nesse contexto, eu defendo que os estudantes precisam compreender os aspectos históricos, sociais, econômicos, políticos, fisiológicos e biológicos que se relacionam com as manifestações da cultura corporal (jogos, brincadeiras, esportes, danças, lutas, ginásticas e atividades circenses), além de vivenciar os gestos dessas práticas corporais. Para conseguir problematizar todas essas questões, o futuro professor de Educação Física precisa ter uma formação inicial e continuada consistente, refletir periodicamente sobre as suas ações didáticas, se despir de todo e qualquer preconceito, além de sempre buscar a aprendizagem dos seus alunos. 

Claretiano - Como se desvencilhar das velhas práticas?

Reconhecendo a importância da Educação Física para a formação de um aluno crítico, que valorize os conhecimentos que se relacionam com as práticas corporais, transformando a comunidade que ele faz parte. Durante muito tempo, as aulas desse componente curricular valorizaram apenas os estudantes mais habilidosos, que conseguiam jogar bem diferentes modalidades esportivas. Com a democratização da escola e a alteração da sua função social, a aula de Educação Física precisa ir muito além do que apenas ensinar a jogar basquete, vôlei, handebol e futsal. A área será cada vez mais reconhecida pela comunidade escolar se os futuros professores pensarem em novos projetos para as suas aulas.

Claretiano - Quais práticas foram desenvolvidas com os futuros professores?

A oficina realizada abordou, em um primeiro momento, como que os futuros professores poderiam organizar o seu planejamento com justiça curricular. Para alcançar esse objetivo, vivenciamos jogos e brincadeiras de diferentes partes do mundo, refletindo com os licenciandos sobre a importância de valorizar as diferentes culturas existentes na nossa sociedade, a partir dessas manifestações da cultura corporal.

Após essas vivências, mostramos fotos, charges, crônicas e pesquisas realizadas nas aulas de Educação Física nas escolas em que atuei nos últimos 10 anos. Nesse momento, foi possível compreender que todas as práticas corporais podem ser desenvolvidas na escola e que os futuros docentes podem propor que as crianças e adolescentes produzam diferentes "documentos" para mostrar os conhecimentos que desenvolveram durante as aulas de Educação Física Escolar. 

Temas como machismo, racismo, homofobia, saúde, violência e classe social foram problematizados nesses registros, sempre relacionado esses marcadores sociais com as práticas corporais. Finalizamos a oficina mostrando como que um professor pode desenvolver projetos educativos que estimule o pensamento crítico dos estudantes da Educação Básica sobre as práticas corporais.

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