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Depois de 30 anos, no Japão, universitária inicia curso de Educação Física

12/08/2019 - Toyohashi-shi

Você esperaria 30 anos para começar a realizar um sonho? Parece muito tempo, não é mesmo?  Mas para Marisa Narita Uemura, que atualmente mora no Japão, esse foi o tempo que ela esperou para iniciar a faculdade de Educação Física (Licenciatura). Atuando na área esportiva há décadas, apenas com a prática aprendida no passado, ela aproveitou o polo do Claretiano – Centro Universitário, em Toyohashi-shi, no Japão, e iniciou a vida acadêmica para poder ter a teoria e aprimorar seus conhecimentos na área da Educação Física.

“Gosto de realizar eventos, gosto do esporte, gosto de desafios e acredito pela minha própria vivência que nunca é tarde para começar ou recomeçar. Hoje estou encarando uma faculdade, sendo que há mais de 30 anos não estudo. Mas, como todo desafio, eu encaro que aprender nunca é demais e levo mais este lema comigo, que aprendi este ano ‘ ensino ao aprender e aprendo ao ensinar‘. Meu sonho continua, pois ainda desejo me especializar em muitas áreas. Muito obrigada ao Claretiano que me deu esta chance de poder realizar meu sonho ao proporcionar um curso que até então parecia impossível de ser realizado à distância”, diz Marisa.

Marisa, que é de família voltada ao esporte, tem como referência o pai, Mário Narita, amante do esporte que desde novo se aventurou no futebol, karatê e Judô, sendo que foi através do Judô que ele se firmou, conquistando sua faixa preta aos 35 anos, e fundando sua academia na cidade de Paranavai (PR),  a Associação Paranavaiense de Judô. “Nos anos 70 meu pai foi um dos pioneiros na cidade e incentivador do esporte sem distinção de idade, sexo ou etnia. Recebi o total incentivo, junto com a minha irmã, Marcela, a participar do primeiro Campeonato de Judô Feminino, na década de 80, na cidade de Assai”, conta ressaltando que desde essa época o envolvimento com o esporte foi intenso.

Marisa está há 15 anos no Japão e, de manhã, trabalha em uma fábrica. À noite ela reserva aos estudos do curso de Educação Física. “Procuro estudar todos os dias um pouco, de uma hora a duas horas durante a semana, já que nos finais de semana tenho muitas competições e treinos. O ensino à distância do Claretiano é muito prático e os tutores estão sempre acompanhando as atividades”, conta ressaltando que “tudo que venho absorvendo procuro praticar nas atividades no judô, nas aulas do grupo no colégio que sou voluntariada e no grupo de vôlei com a realização de jogos lúdicos”, conta.

Conheça a história da Marisa

 “Desde pequena fui incentivada a praticar qualquer tipo de esporte, dei continuidade ao Judô, e pratiquei outras modalidades como atletismo, handebol e voleibol, sendo que este último se tornou minha grande paixão.

Aos 14 anos alguns obstáculos surgiram e tive que interromper o esporte deixando para traz sonhos, que sempre me acompanharam. Constitui família e depois de anos o destino novamente mudou meus os planos.

Em 2000, incentivada pela minha irmã vi meu sonho se reacender, pois, ao retornar aos tatames fiz todos os procedimentos para poder conquistar a tão sonhada faixa preta, mas de novo o destino muda os planos.

Em 2004 tive que parar tudo e tentar a vida no Japão e assim fiquei parada por 10 anos, trabalhando em fábricas, mas sempre com um desejo intenso de retornar, fazer mais, proporcionar uma oportunidade às crianças brasileiras que aqui vêm morar com seus pais e ficam na escola ou em casa sem a oportunidade de participar de atividades esportivas.

A partir disto resolvi arriscar e me ofereci como voluntária nas escolas da região para dar aulas de Judô, uma delas me deu esta oportunidade e aos poucos fui mostrando a eles que o Judô não é só luta, ele vai além, ensinado disciplina e o respeito não só para com o professor, mas respeito ao próximo, respeito ao seu parceiro, pois sem ele não poderia lutar, praticar.

E assim também resolvi tirar a faixa preta aqui no Japão, pois nossa credencial no Brasil não é reconhecida aqui, embora o Judô japonês seja diferente do ocidental, recomecei aqui do zero, lutando, arbitrando e aprendendo sempre.

Como algumas escolas brasileiras daqui dos Japão (que não possuem um japonês que possa se responsabilizar pela escola) encontram muitas dificuldades financeiras para poderem se manter, muitas não contam com profissionais de educação física na área para dar aulas aos seus alunos, recorrendo aos professores de Pedagogia, em vista disso me ofereci novamente como voluntária. Assim, trabalho proporcionando aos alunos algumas atividades mesmo que lúdicas visando o desenvolvimento físico, motor, educacional.

Novamente meu sonho se reacendeu ao cursar Educação Física e poder realmente me sentir apta a lecionar corretamente e a contribuir para a formação social e educacional destes alunos.

Diante da realidade da comunidade brasileira, onde existe muito trabalho e pouco lazer, criei um grupo de vôlei aos sábados, onde é voltado para a comunidade participar fazendo novas amizades.

Vendo que as pessoas se animaram, criei um torneio interno misto onde os participantes do “bate-bola” se enfrentariam, mas com uma condição, seriam sorteados, ou seja ninguém sabe com quem jogará, separando as pessoas por nível técnico e assim sempre terá num time duas pessoas que sabem jogar, duas que tem noção de vôlei e duas que estão em processo de iniciação.

Esse ‘bate-bola’ é sem distinção de raça, sexo ou idade e nisto já são quatro anos. O novo aprendendo com o experiente e o experiente reaprendendo. Ano passado, pensando em incentivar os alunos, criei o primeiro Campeonato Misto de Vôlei Estudantil entre as escolas brasileiras, que reuniu muitas escolas de todo o Japão, e sem parar em oferecer oportunidades e desafios à comunidade, este ano lancei o primeiro Campeonato de Vôlei Misto de Areia, por ser na margem do lago Biwako, o maior lago do Japão, que aconteceu no dia 28 de julho.

Este ano também, formei um grupo de jovens, até 18 anos, de vôlei e estou incentivando eles a sonharem, a quererem crescer, como atletas, como um grupo, um conjunto, participando de campeonatos da comunidade brasileira e japonesa, jogando, assistindo, admirando e sempre aprendendo”.

 

 

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