Infelizmente essa página não possui suporte a impressão.

Notícias

Indígenas investem em qualificação profissional com cursos superiores no Claretiano

19/04/2017

Desde que foi instituído o Dia do Índio, celebrado em 19 de abril, a data é marcada por muitas conquistas. Entre elas está a possibilidade de o indígena frequentar o ensino superior. E, desde 2015, centenas de índios do Estado de Roraima estão frequentando o ambiente universitário no Claretiano – Centro Universitário polo de Boa Vista.  Eles estão cursando Administração, Nutrição, Enfermagem, Ciências Contábeis, Pedagogia (Licenciatura) e o curso superior de tecnologia em Secretariado, na modalidade de Educação a Distância (EaD), atendendo à solicitação das comunidades de Roraima, Estado que concentra mais de 400 comunidades indígenas, sendo a unidade federativa que abriga a maior quantidade de etnias no País. Essa oportunidade oferecida a eles vai ao encontro da missão da instituição que é de capacitar a pessoa humana para o exercício profissional e para o compromisso com a vida, mediante uma formação integral.

Ariomar Almeiro, 28, da etnia Macuxi, é um dos indígenas universitários. Cursando o 5º semestre do curso de Pedagogia ele já atua como professor em escolas da sua comunidade, no entanto, viu a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos iniciando o curso superior. “Cursar Pedagogia é uma grande oportunidade. Nossos antepassados lutaram muito para que as futuras gerações, ou seja, a minha, pudessem ter essa oportunidade”, conta Ariomar que já tem planos para o futuro. Segundo ele, depois de formado colocará em prática todos os ensinamentos adquiridos durante o curso no Claretiano. “Quero transmitir ao meu povo tudo que tenho aprendido com a metodologia do Claretiano”, conta.

Dorinaldo Anioceto Macuxi, 33, também da etnia Macuxi, na região de Amajari, está no 5° semestre de Pedagogia, sendo esta a sua segunda graduação. Teólogo, Dorinaldo quer ampliar os conhecimentos e transmitir a sua comunidade tão logo termine a graduação. “Com o curso de Pedagogia estou aprendendo muito e já colocando em prática na sala de aula. A graduação é uma oportunidade para vivenciar a melhoria na nossa comunidade”, conta. Já com experiência de sala de aula como professor multidisciplinar, Joel Pereira da Silva, 36, da etnia Macuxi, na região Amajari, também está no 5° semestre do curso. “Estou vencendo um desafio. Minha comunidade fica a 230 km de distância do polo e mesmo assim estou confiante para terminar o curso, pois o Claretiano me ajuda em tudo que preciso oferecendo todo o suporte necessário. Depois ainda quero fazer uma pós-graduação em matemática”, explica. Aos 22 anos, Meuriene Silva de Oliveira, da etnia Macuxi, está seguindo os passos dos pais que já são professores. Cursando o 3º semestre de Pedagogia ela tem como planos aplicar todos os conhecimentos que vem aprendendo. “Assim que eu terminar o curso quero ensinar a minha comunidade tudo que aprendi”, conta.

Educação sem fronteiras

É importante ressaltar que os indígenas contam com total apoio do polo de Boa Vista para a realização de todas as atividades, inclusive para acessar a Sala de Aula Virtual (SAV). “Os alunos das comunidades que não forem beneficiadas com Internet ou mesmo os que não tiverem computador poderão usar a nossa estrutura. Temos monitores treinados e capacitados para atender todos os indígenas que vierem ao polo fora dos encontros presenciais estabelecidos no calendário acadêmico dos cursos”, explica Arlete G. S. Portilho Nicoletti, tutora do curso de Pedagogia no polo de Boa Vista e professora de Psicologia da Educação, no Claretiano - Centro Universitário.

Cinco mil quilômetros separam o Claretiano – Centro Universitário, que fica localizado em de Batatais (São Paulo), à cidade de Boa vista. E, ao oferecer a modalidade de Educação a Distância (EaD) para as comunidades indígenas o Claretiano proporciona a eles a oportunidade de acesso ao ensino superior e o que é melhor, sem fronteiras. A iniciativa da instituição que está atenta às necessidades sociais, culturais, educacionais e profissionais destas comunidades indígenas oferece capacitação em áreas que eles ainda não tiveram a oportunidade da profissionalização.

O ensino destinado aos povos indígenas, por meio do Claretiano – Centro Universitário, iniciou-se em 2015 com a oferta de 100 vagas para o curso Pedagogia para os professores das comunidades que não tinham formação superior. No ano seguinte, foram oferecidas mais 100 bolsas de estudos para os jovens escolhidos pela comunidade que irão dar continuidade no trabalho acadêmico já desenvolvido por eles.

E, este ano, estão sendo ofertadas mais 200 bolsas em sete novos cursos, ampliando a possibilidade de profissionalização, ressaltando que todas as ofertas atendem as solicitações das comunidades vindo ao encontro de um projeto da Igreja do Brasil que tem a preocupação com as comunidades indígenas em oferecer uma educação superior de qualidade.

É importante ressaltar que todos os universitários envolvidos no projeto assumiram o compromisso perante suas comunidades de concluir o curso superior e aplicar todos os conhecimentos adquiridos em benefício de seus povos.