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A (in)definição do homem
v. 11, nº 19. 2017

Studium Revista Teológica

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Durante séculos, o homem foi objeto especial da reflexão filosófica e teológica. Sem dúvida, conhecimentos sobre o homem sempre foram muitos, desde os poetas, cantores, comerciantes e outros mais. Todavia, nenhum deles ultrapassava os limites da filosofia e da teologia (baseada na bíblia). No entanto, desde a modernidade, a reflexão tornou-se mais científica e tomou novos caminhos. Ela adonou-se do tema e reservou para si a ”verdade sobre o homem”, agora fundamentada nas ciências naturais. O encantamento, a razão, a fé e a poesia, passaram a perder credibilidade ante as novas explicações que pareceriam ter atingido o significado pleno da verdade. De fato, as ciências modernas todas – mesmo que ainda tão jovens, na história humana – assombram nossos conhecimentos tanto pelas descobertas quanto pelo avanço das possibilidades técnico-científicas.

Elas vivem seus momentos de glória e conquistas. Porém e apesar de tudo, os que creem percebem que elas não descobriram tudo. Percebem que Deus pôs muito mais como mistérios da natureza a serem descobertos. Os cientistas do ano 3.017 (eu disse três mil e dezessete), também terão muito a pesquisar, descobrir e revelar na natureza e na história. Os segredos de Deus são maiores do que os dos tempos das ciências atuais.

Só Deus sabe sobre as surpresas maravilhosas que Ele reserva para cada tempo. Não seremos nós os últimos viventes da terra. Todavia, como não nos maravilharmos por tudo de novo que tem surgido? Mas, também não podemos ser ingênuos de que ocorrem apenas coisas maravilhosas. Como ignorar a fome, o desenvolvimento de armas de guerra que poderiam ser transformados em “arados” para produzir alimentos e construir escolas, melhorar a saúde, aumentar a escolaridade e desenvolver a comunicação inter-humana?

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Editor-Chefe

Hélcion Ribeiro – Studium Theologicum, Curitiba, PR.

 

CONSELHO CONSULTIVO

Agenor Brighenti – PUC, Curitiba, PR.

Angelo Carlesso – Studium Theologicum, Curitiba, PR.

Cesar Kusman – PUC, Rio de Janeiro, RJ.

Diego Irarrazaval – Univ. Católica Silva Henriquez, Santiago, Chile.

Ricardo Hoepers – Rio Grande, PR.

Sávio Scopinho – CLARETIANO, Rio Claro, SP.

Vitor P. Calixto dos Santos – CLARETIANO, Campinas, SP.

 

Abstract: Joachim Andrade

A (in)definição do homem: desafios para a teologia

A contínua descentralização da visão do universo e do inato antropocentrismo desafiam velhas concepções cientificas ou religiosas, bem como desmontam o conceito intuitivo da espécie como algo já dado, algo definido a priori. Tornou-se difícil, porém, definir quem é o homem. O avanço da compreensão da evolução orgânica parece supor uma negação do homem como criatura especial de Deus. Mas, poder-se-ia reduzir o homem a um organismo que somente atua de acordo com seus princípios biológicos do plano filogenético e ontogenético? A fronteira temporal delimitativa entre o humano e o não-humano, além de supor uma distinção entre homo sapiens e pessoa, pode ir além? A antiga antropologia teológica, fundada na filosofia, é, hoje, um pressuposto frágil demais. Para o teólogo, há algo que distingue o humano do não-humano, enquanto essencialmente distinto e «capaz de Deus»., inclusive pela perspectiva da ressurreição. “Ser diante de Deus” é o que caracteriza teologicamente todo ser humano, independentemente de como se está diante d’Ele. Mesmo melhorando as explicações materiais, nem por isso a vida adquire um valor pleno. Elas não fornecem a resposta última às aspirações do coração humano. Só a comunhão, isto é, a união no respeito à alteridade, permite que se realize a existência do homem. Essa comunhão que define a intimidade do Deus trino, e que se expressa numa palavra, única: amor.

 

PALAVRAS CHAVE: Concepções científicas. Princípios biológicos. Homem. Definição. Teologia.

Alfonso J. Novo Cid-Fuentes

 

O corpo humano. Reflexões desde a perspectiva filosófica

RESUMO: É inegável a força atual das ciências na interpretação do lugar do homem no conjunto dos seres vivos.. O autor repassa quatro grandes posturas. São elas: reducionismo biológico, biologismo subordinacionista, culturalismo dualista, e estruturismo unificador. Algumas correntes científicas querem superar as teses humanistas e antropocêntricas, negando a suposta diferença qualitativa entre os humanos e o resto das espécies vivas: o humano é apenas uma espécie a mais. E aí não tem sentido falar da singularidade da espécie humana, pois que não passaria de ser um dos restos da concepção humanista cristã. Para o autor, porém, os avanços científicos não constituem provas nem a favor das teses antropocêntricas e humanistas, nem a favor das reducionistas. Ele defende que o gênero humano está envolvido no processo evolutivo, porém experimentou um salto qualitativo, que fez emergir com ele uma realidade qualitativamente nova, dotada de uma densidade ontológica específica e de um valor ético que as demais espécies não possuem. Nós somos uma espécie que tem a capacidade de possuir autoconsciência, liberdade, capacidade linguística de usar e construir ferramentas e de transformar o ambiente em mundo, além de capacidade estética, filosófica e a religiosa (perguntar-se pelo fundamento de tudo).

PALAVRAS CHAVE: Ciências. Humanismo. Antropologia. Reducionismo. Processo evolutivo.

Carlos Beorlegui Rodríguez

 

Bioetica, humanismo e pós-humanismo no século XXI: Em busca de um novo ser humano? 1a parte

As questões, em moda, do trans-humanismo ou póshumanismo desejam abolir Deus e transformar o ser humano como um mero ser animal entre tantos outros os transhumanistas desejam abolir a evolução, a morte, e recriar novos “deuses”, vencendo a mortalidade humana. Daí ser necessário, sabermos qual é a visão ou conceito de ser humano que está operacionalizado, colocado em pratica, quando estamos frente a inúmeras possibilidades técnico-cientificas de intervenções, que podem alterar profundamente a identidade do ser humano? Esta reflexão consta de cinco momentos, um olhar histórico evolutivo, do humanismo clássico, além de valores e limitações, vistos a partir da contemporaneidade (I): a partir das origens, busca-se características e fundamentos do transhumanismo na contemporaneidade (II); desenvolve-se o entendimento dos conceitos de natureza humana e aprimoramento humano (III); procura-se uma ciência com sapiência e urgência da bioética com uma missão em tal contexto (IV); por fim, enfatiza-se a necessidade de um novo humanismo para o século XXI, que passe pela importância da educação ao nos ensinar a ser, a fazer, a aprender e a viver juntos (V). O autor conclui com a pergunta sobre que futuro nos aguarda com o desafio de superação do “paradigma da razão instrumental técnica”, pelo “paradigma da razão sensível e cordial”.

PALAVRAS CHAVE: Transhumanismo. Novo humanismo. Bioética, Natureza humana. Possibilidades técnico científicas.

Leo Pessini

 

Bioetica, humanismo e pós-humanismo no século XXI: Em busca de um novo ser humano? 2a parte.

As questões, em moda, do trans-humanismo ou póshumanismo desejam abolir Deus e transformar o ser humano como um mero ser animal entre tantos outros os transhumanistas desejam abolir a evolução, a morte, e recriar novos “deuses”, vencendo a mortalidade humana. Daí ser necessário, sabermos qual é a visão ou conceito de ser humano que está operacionalizado, colocado em pratica, quando estamos frente a inúmeras possibilidades técnico-cientificas de intervenções, que podem alterar profundamente a identidade do ser humano? Esta reflexão consta de cinco momentos, um olhar histórico evolutivo, do humanismo clássico, além de valores e limitações, vistos a partir da contemporaneidade (I): a partir das origens, busca-se características e fundamentos do transhumanismo na contemporaneidade (II); desenvolve-se o entendimento dos conceitos de natureza humana e aprimoramento humano (III); procura-se uma ciência com sapiência e urgência da bioética com uma missão em tal contexto (IV); por fim, enfatiza-se a necessidade de um novo humanismo para o século XXI, que passe pela importância da educação ao nos ensinar a ser, a fazer, a aprender e a viver juntos (V). O autor conclui com a pergunta sobre que futuro nos aguarda com o desafio de superação do “paradigma da razão instrumental técnica”, pelo “paradigma da razão sensível e cordial”.

 

PALAVRAS CHAVE: Transhumanismo. Novo humanismo. Bioética, Natureza humana.

Leo Pessini

 

A antropologia cristã e as interrogações das neurociências

O autor propõe uma discussão nova e mais profunda sobre o ser humano. Reconhece que as neurociências têm tido um avanço formidável ao se concentrarem na discussão sobre o cérebro – para uns, a raiz da singularidade do ser humano, e consequentemente negando verdades tradicionais da teologia ((a questão corpo e alma). A discussão científica, tendo em conta o corpo humano, quer enfocar a especificidade do ser humano no cérebro. E aí os cientistas se dividem em escolas e impostações diferentes, mas afirmando sempre a mesma questão. O autor neste texto enfatiza o papel da antropologia teológica, reconhecendo a dificuldade de definir o ser humano, mas não admitindo que ele possa ser descrito apenas desde a materialidade, enfatiza o mistério que é o homem só explicável – mesmo que não totalmente – no mistério de Deus. Ele é a essência de uma transcendência ilimitada. Ele é o modo finito do ser de Deus, de onde lhe advém sua liberdade e sua dignidade. Em definitivo, a antropologia cristã põe-se a serviço do sentido profundo do homem, orientando, sem tecnofobia alguma, os progressos das ciências biológicas no sentido da verdadeira promoção da humanidade do homem, por isso ela deve ser uma ciência aberta aos múltiplos questionamentos.

PALAVRAS CHAVE: Neurociências. Cérebro. Liberdade. Processos cerebrais. Singularidade.

Ignazio Sanna

 

A identidade do ser humano à luz da fé

A tradição da antropologia teológica está fundada na afirmação do ser humano criado à imagem e semelhança com Deus. Muitos teólogos enfatizam uma nova posição, também adotada pelo Vaticano II – especialmente na GS -: é Cristo quem dá a singularidade teológica ao ser humano. Daí a necessidade de se passar a uma Antropologia Cristológica. É Cristo, e não o velho Adão, quem dá sentido à vida de todos os homens. É nele que ficamos sabendo quem somos, inclusive de filhos de Deus e irmãos do próprio Verbo, que se fez carne para se tornar irmão, como imagem visível do Deus invisível. Nele fica superada a imagem do “velho” Adão – mesmo quando considerada a evolução natural da espécie. É em Cristo que nasce a nossa novidade criatural. Também é nele e a partir dele que se torna possível a fraternidade universal. Este dado nos conduz a outra realidade: nós somos, individualmente, pessoa – com todas as dimensões decorrentes, mas também somos um povo: o Povo de Deus, que com todos os homens e mulheres da terra e em quais quer tempo, formamos o único corpo de Cristo.

PALAVRAS CHAVE: Filiação. Fraternidade. Imagem. “Homem novo”. Cristo.

Hélcion Ribeiro

 

Grandeza do corpo humano. Perspectiva teológica

Inspirado, sobretudo, no novo Testamento e na teologia de alguns dos primeiros Padres da Igreja, o texto aborda a questão da dignidade e grandeza do corpo huma¬no, em perspectiva teológica. A doutrina cristã sobre o corpo conheceu muitos vaivéns ao longo da história. Porém, nela perpassa a certeza de que o Verbo assumiu a fragilidade da carne humana, sem absorvê-la, e a elevou, também em nós, a uma dignidade sem igual. O Filho de Deus, por sua encarnação, uniu-se assim a todo homem. A chave está ai, na imagem de Cristo que o corpo do primeiro Adão já reproduz antecipadamente. Haveria, acaso, uma grandeza maior, uma maior dignidade no mistério do homem que só se esclarece no mistério do Verbo encarnado? Por outro lado, a imagem do corpo está ligada intimamente à eucaristia, que é, segundo o Novo Testamento, a forma a mais adequada para aproximarmos deste mistério. Uma outra imagem que nos leva a considerar a grandeza do corpo humano é o matrimonio. O homem e a mulher serão uma só carne, mistério que nos remete à profunda união corpórea de Cristo com sua Igreja. Por fim, é preciso lembrar como dizia Sto. Irineu: “ o criado se emprenha do Verbo, e ascende com ele, acima dos anjos e se faz imagem e semelhança de Deus”.

PALAVRAS CHAVE: Corpo. Grandeza. Mistério. Imagem. Encarnação.

Luís F. Ladaria Ferrer

 

A salvação da liberdade: A luz cristã sobre os caminhos do homem

É importante reconhecer que o tema da liberdade constitui um eixo importante da antropologia cristã em torno do qual se reúnem e giram muitas outras categorias e componentes. Por isto o texto apresenta uma proposta de modo muito simplificada- como diz o autor - e em certo aspecto didascálico que compreende duas etapas fundamentais. Na primeira o autor, em torno do eixo da liberdade, se detém de dois dados teológicos capitais, a fé-confiança humana e a graça divina. E, nesta encruzilhada, aprofunda a estrutura essencial do ato livre à luz da visão cristã da pessoa. No segundo momento, ao invés, o autor procura aprofundar alguns corolários como a conexão da ética, da verdade e da natureza humana com a liberdade, tendo em conta o encontro entre a imanência e transcendência, isto é, entre o humano e divino que age no interior da pessoa.

PALAVRAS CHAVE: Liberdade. Fé. Confiança. Graça. Pessoa.

Card. Gianfranco Ravasi

 

Discurso do Papa no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares

Este discurso é uma inspirada síntese projetiva do Magistério sobre as questões sociais da atualidade e, sobretudo, está sendo considerado como uma de suas mais importantes manifestações da Doutrina social da Igreja. (Ao discurso do Papa antepomos como roteiro crítico o comentário é de Guido Viale, sociólogo e escritor italiano, publicado por Huffington Post, 11-11-2016). O Papa Francisco renova o apelo em favor de três grandes causas: pôr a economia a serviço dos povos; construir a paz e a justiça e defender a Mãe Terra. Diante dos novos terrorismos capazes de criar muros e matar por toda parte, especialmente os pobres, a Igreja propõe o amor evangélico e a criação de pontes para resgatar a dignidade de todos os homens. Frente à bancarrota do sistema econômico predominante, os cristãos e todos os de boa vontade hão de se ocupar no resgate da vida preservação do meio ambiente, combatendo o medo com uma vida de serviço, solidariedade e humildade em favor dos povos e especialmente daqueles que sofrem. 

PALAVRAS-CHAVE: Teto. Trabalho. Economia. Serviço. Solidariedade.

 

O EXTRACANÔNICO ACTA JOHANNIS: conceitos operatórios e a reorganização das memórias

O artigo enfoca diferentes aspectos do conceito de tradição de textos sagrados, assim como suas implicações exegéticas e tradutórias. Trata do conceito de “apócrifo” e de “heresia” mostrando a diversidade dos cristianismo(s) na gênese da literatura cristã, especialmente no gênero dos Atos e, particularmente, em Atos de João. Este pequeno trabalho, pode-se dizer, que seja um modesto e útil instrumento no intercâmbio entre estudantes do gênero literário: literatura cristã. Isso apenas ilustra a riqueza de conteúdo que estes textos proporcionam a todos que a eles recorrem para iniciar ou dar continuidade às suas leituras como literatura antiga. No referente a formas de tradução, destaco a importância da influência do contexto histórico. Enfim, observo, estudos sobre temas bastante variados: e.g. Tradução da Bíblia e Textos Apócrifos, Exegese Bíblica e Datação da Literatura Antiga.

 

Palavras-Chave: Tradução da Bíblia e Apócrifos; Literatura Antiga; Exegese Bíblica; Atos de João.

Elias Santos do Paraizo Junior

 

A nova Jerusalém: Breves considerações a partir do livro do Apocalipse

Antes de ser o título do último livro da Sagrada Escritura, apocalipse é o gênero literário da profecia escrita. Este gênero, característico do período entre o séc. II a.C. e I d.C., aflora sempre nos momentos de crise, onde somente a intervenção divina pode garantir a reversão de um quadro avassalador. O livro do Apocalipse, por meio de seu rico simbolismo e inteligente estrutura literária (setenários), objetiva animar os primeiros cristãos à perseverança e ao testemunho, apontando para a esperança garantida da vitória de Cristo. O livro culmina com a visão da Nova Jerusalém, uma nova realidade livre das aflições do tempo presente. Trata-se das núpcias do Cordeiro, onde o mal já não encontra espaço. Apocalipse vem a ser o livro paradigmático da ação de Deus na  história humana. Assim, ele é sempre atual, com conteúdo escatológico capaz de iluminar a vida dos cristãos de todos os tempos.

PALAVRAS-CHAVE: Apocalipse. Profecia. Setenário. Nova Jerusalém. História.

Daniel Luiz Medeiros